Metodologia Cubana

Unindo a técnica das escolas russa, francesa, inglesa e italiana, a lendária bailarina Alicia Alonso criou a escola cubana de ballet.

Sintetizando elementos naturais da cultura de seu povo, através de determinados movimentos de quadris e braços comuns às danças populares do Caribe, ela adaptou os movimentos clássicos, para o físico dos bailarinos latinos, muito diferente do físico europeu mais longilíneo. Era a Metodologia Cubana de ensinar o ballet clássico.

Um povo naturalmente dançante (o caribenho em geral e os cubanos em particular), encontrou nessa metodologia a oportunidade de aprender o clássico com uma desenvoltura própria. Embora a dança fosse um forte componente da cultura nacional, não havia uma tradição de dança cênica na Ilha.

Através da metodologia cubana, os bailarinos chamam a atenção pelo jeito próprio de mostrar o tradicional, o clássico, principalmente no uso diferenciado da musicalidade, da interpretação e da técnica. Giros e saltos ganham maior velocidade e amplitude, graças a um treinamento específico. O tradicionalismo da dança clássica é mantido, mas com adaptações para o físico dos bailarinos latinos. O resultado disso é hoje difundido mundialmente, especialmente na América Latina, como é o caso do Brasil, onde já existem muitos professores e escolas especializados neste método de ensino. Pode-se dizer que Alicia Alonso criou uma escola Latino-americana de Ballet!

A importância da criação da metodologia cubana pode ser medida por uma única referência: Até a década de 60, Cuba não possuía uma única companhia de Ballet e hoje abriga uma das maiores e mais respeitadas do mundo: o Ballet Nacional de Cuba (BNC), onde fomos buscar os mestres para, melhor do que ninguém no Brasil, ensinar e difundir essa técnica tão perfeita para o biótipo dos brasileiros.

Texto extraído do trabalho acadêmico que deu origem ao livro "Sapatilhas da Revolução - O legado de Alicia Alonso ao balé cubano", Paloma Faria Quintas; Paula Boracini: Puc-Campinas 2007.

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